Anacardium giganteum W. Hancock ex Engl.

Caju, cajueiro, caju-açu

Em construção

Árvore inerme, perenifólia ou subcaducifólia, heliófila, monoica, com até 30 m de altura e 60 cm de DAP. Ritidoma cinzento a amarronzado, sulcado com estreitos e rasos, periodicamente desprendendo-se em tiras; casca interna avermelhada, resinosa. Madeira rosada a marrom-clara, leve. Folhas simples, alterno-espiraladas, curto-pecioladas, obovadas, de margem inteira, pilosas na facial inferior, com criptas na base das nervuras secundárias e 12-20 x 8-12 cm. Inflorescências em panículas amplas, axilares ou terminais, pilosas, com 15-28 cm de comprimento. Flores pediceladas, diclamídeas, pentâmeras, actinomorfas, hermafroditas e masculinas na mesma inflorescência, com 6-8 mm de comprimento; corola variando de branco-esverdeada a rósea e a vermelha.  Frutos reniformes, monospermos, cinzentos a pardacentos, com resina infamável e ± 3 x 2 cm; ligados ao ramo florífero pelo hipocarpo ou’ pseudofruto’, órgão piriforme, vermelho e suculento, derivado da intumescência do pedicelo. Sementes (‘castanhas’)  brancacentas, reniformes, com 2,5-3 x 2-2,5 cm.

Ocorre no Equador, Colômbia, Venezuela e no Brasil, nos estados  da região Norte e no Maranhão e em Mato Grosso, em florestas situadas em solos bem drenados. É encontrada nas disjunções de florestas perenifólias e subcaducifólias da faixa de transição do Cerrado com o bioma Amazônia em Mato Grosso, Tocantins e Maranhão, bem como em florestas-galerias na parte central desses estados.

Floresce entre agosto e outubro e apresenta frutos maduros de dezembro a abril. As flores são de antese diurna e frequentadas por insetos de diversas famílias e ordens, com destaque para abelhas, que são as suas polinizadoras. As sementes são dispersas por animais arborícolas e terrestres.

Fornece madeira  apropriada para a confecção de laminados, compensados,  caixotes e gamelas, e para forro de casas. A casca possui alto teor de tanino, sendo usada localmente para curtir couros. Os pseudofrutos são consumidos pelo homem, in natura e na forma de suco, chegando as ser comercializados em algumas localidades. São também consumidos por macacos, morcegos e por uma variedade animais terrestres, inclusive os jabutis, que parecem fazer parte da fauna que dispersa as sementes. As sementes também são consumidas pelo homem, após serem torradas com cuidado, devido à existência de um óleo-resina cáustico e tóxico no pericarpo do fruto. As folhas, e eventualmente a casca do tronco,  são usadas na fitoterapia popular, como cicatrizante de ferimentos e contra gastrite, úlceras gástricas, diabetes e  sífilis, entre outras doenças. A espécie é indicada para plantios mistos destinados a recompor áreas desmatadas e para formação de pomares de fruteiras nativas.

O caju-açu pode ser propagado por sementes e por meio de enxertia por garfagem, quando se deseja obter indivíduos adultos de pequeno porte. Na propagação por sementes não é necessário remover a casca (pericarpo) do fruto ou castanha. A semeadura pode ser realizada em recipientes ou diretamente no solo. Em condições de viveiro a germinação começa a partir do sexto dia após a semeadura e as plântulas são de crescimento moderado a rápido, mas são susceptíveis à antracnose, uma doença fúngica que afeta as folhas.

A. giganteum ocorre em uma parte relativamente pequena do Cerrado e ainda não possui registros de ocorrência em unidade de conservação de proteção integral nesse bioma. No então entanto, está presente em áreas de preservação permanente (florestas ribeirinhas).

LITERATURA
CAVALCANTE, P.B. Frutas comestíveis da Amazônia. 6a ed. Belem: CNPq/Museu Paraense Emílio Goeldi, 1996.
EMBRAPA. 2004. Espécies arbóreas da Amazônia. Nº 3: Cajuaçu, Anacardium giganteum. Disponível em www.dendro.cnptia.embrapa.br, acessado em: 14/06/2017.
MITCHELL D.J. & MORI, S.A.The cashew and its relatives (Anacardium: Anacardiaceae). Memoirs of the New York Botanical Garden, v.42, n.1, p.1-76,1987.
TAKEHANA, C.L.I. et al. Biologia floral e visitantes florais de Anacardium giganteum W. Hancock ex Engl. (Anacardiaceae) no município de Bragança, PA. Revista de Ciências Agrárias, v.56, n.3, p.202-211, 2013.
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