Trigynaea oblongifolia Schltdl.

Embira, embira-branca

Árvore inerme, monóica, subaducifólia, até 10 m de altura e 20 cm de DAP. Tronco reto, tendendo a cilíndrico. Ritidoma pardacento, irregularmente sulcado e fissuradoa; casca interna alva, fibrosa. Madeira branco-amarelada, leve. Folhas simples, alternas, glabras, lustrosas, 6-12 x 2,5-3,5 cm. Flores supraxilares, brancas, andróginas, diclamídeas, actinomorfas, perfumadas, com 2-3 cm de compr. Fruto com 1-2 monocarpos (sub)globosos, polispermos, irregularmente deiscentes, com 3-3,5 x 2,5-3 cm. Sementes marrons, brilhosas, assimétricas a obovoides, com 15-22 x 8-12 mm.

Tem sido citada apenas para a Mata Atlântica, mas foi registrada em algumas áreas do Cerrado, situadas em Goiás. Seus habitats nesse bioma são as florestas estacionais caducifólias situadas em afloramentos de calcário.

Perde parte da folhagem na estação seca. Floresce de outubro a dezembro e apresenta frutos maduros em abril e maio. As flores são frequentadas por abelhas e besouros, sendo estes os seus mais prováveis polinizadores. As sementes permanecem vários dias nos frutos abertos, sugerindo que existem aves que as apanham e dispersam.

Fornece madeira utilizável como caibro e escora e em confecção de caixotes, molduras e forros. As sementes parecem servir de alimento para aves e mamíferos arborícolas e terrestres. As árvores reúnem características que as tornam apropriadas para arborização urbana e rural, e recomposição de áreas desmatadas.

É multiplicada por sementes, que aparentemente demoram para germinar e apresentam baixas taxas de germinação. É provável que esses índices possam melhorados mediante tratamento das sementes com solução de ácido giberélico. Algumas evidências indicam que o crescimento das plântulas é moderado.

T. oblongifolia foi encontrada em apenas três remanescentes florestais no Cerrado, todos muito reduzidos, alterados e sujeitos incêndios e invasões de gado. Atualmente ela está na Lista Nacional Oficial de Espécies da Flora Ameaçadas de Extinção (Portaria do MMA n° 443, de17/12-2014), na categoria em perigo de extinção.

Indivíduos originários de brotação de toco de árvore derrubada para formação de pastagem. Mambaí (GO), 01-04-2004

Superfície do ritidoma e cor da casca interna, Mambaí (GO), 01-04-2004

Botões florais, flores e folhas. Mambaí (GO), 25-11-2009

Frutos (carpídios) imaturos. Mambaí (GO), 23-03-2010

Frutos (carpídio) maduro expondo as sementes. Mambaí (GO), 31-04-2010

LITERATURA
JONHSON, D.M. & MURRAY, N.A. 1995. Synopsis of the Tribe Bocageeae (Annonaceae), with revisions of Cardiopetalum, Froesiodendron, Trigynaea, Bocagea, and HornschuchiaBrittonia, v.47, n.3, p.248-319.
MAAS, P.J.M. et al. 2002. Annonaceae from Central-eastern Brazil. Rodriguésia, v.52, n.1, p.61-94.
MMA – Ministério do Meio Ambiente. 2014. Lista Nacional Oficial de Espécies da Flora Ameaçadas de Extinção, (Portaria MMA no 443, de 17-12-2014).
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