Annona coriacea Mart.

Articum, araticum, marolo

Árvore inerme, caducifólia, heliófila, monoica, com até 5 m de altura e 20 cm de DAP; folhas, casca e frutos verdes com odor característico, derivado de óleos voláteis. Ritidoma cinzento ou pardacento, espesso, irregularmente fendilhado e descamante; casca interna amarelada, fibrosa. Madeira a marrom-clara, leve. Folhas simples, alternas, curto-pecioladas, coriáceas, largo-elípticas ou orbiculares, glabras a pubescentes, com 7-12 x 6-10 cm. Flores hermafroditas, globosas, diclamídeas,  com dois anéis trímeros de pétalas amarelas, carnosas e 3,5-4,5-5 cm de diâmetro. Frutos ovados a subglobosos, com carpídios pouco salientes; amarelados ou verde-acinzentados na maturação, medindo 12-20 x 14-20 cm e pesando 1-2 kg. Sementes obovadas, marrons, duras, com ± 15 x-10 mm, imersas em uma polpa amarelada, mole, aromática.

Ocorre no Paraguai, na Bolívia e no Brasil, em todas as unidades federativas da região Centro-Oeste, na maioria dos estados da região Nordeste, em alguns estados da região Norte e em Minas Gerais, São Paulo e Paraná. É encontrada em todas as partes do Cerrado, em cerrados e em cerradões.

Apresenta-se desfolhada no pico da estação seca. Floresce de novembro a dezembro e apresenta frutos maduros de março a abril. As flores são de antese noturna, protogínicas e polinizadas por besouros. A dispersão das sementes é feita por animais terrestres que se alimentam dos frutos.

A madeira é eventualmente utilizada em obras provisórias em fazendas. Os frutos são apreciados por uma significativa parcela da população do Cerrado, que os consome in natura e eventualmente os usam para fazer bolo, suco, geleia, sorvete e iogurte. Além disso, servem de alimento para diversas espécies da fauna silvestre. As folhas, a casca e as sementes são usadas na medicina popular regional, contra desarranjos intestinais.  Alguns estudos fitoquímicos revelaram a ocorrência de flavonoides, alcaloides e acetogeninas, alguns deles inéditos, nas sementes e nas partes vegetativas dessa planta. A espécie é indicada para recomposição de cerrados alterados e para formação de pomares de fruteiras não convencionais, o que já vem ocorrendo em diversas propriedades rurais no Cerrado. 

As sementes de A. coriacea apresentam dormência e por esta razão demoram para germinar.  Como essa dormência era atribuída à impermeabilidade do tegumento, a recomendação para superá-la vinha sendo a  escarificação das sementes com lixa ou um objeto cortante, para facilitar a entrada de água no embrião. Atualmente, com o percepção de que a dormência em sementes de Anona é morfofisiológica (causada pela presença de embrião imaturo e de substâncias inibidoras de germinação), a recomendação que está começando a ser difundida é a de tratá-las com ácido giberélico e depois estratificá-las em areia. Vale mencionar que em um experimento realizado por Melo (1993) a dormência das sementes de A. crassiflora, foi melhor superada quando escarificadas e imersas em solução de ácido giberélico nas concentrações de 500, 1000 e 2000 mg/L-1 por 72 horas. O crescimento das plântulas e dos indivíduos juvenis de A. coriacea  é  lento.

A. coriacea tem ampla dispersão no Cerrado e ocorre em várias unidades de conservação de proteção integral nesse bioma, mas predomina em áreas preferenciais para atividades agropastoris e os seus fruto são objeto de extrativismo sem controle. O seu cultivo em pomares poderá ajudar na conservação da sua diversidade genética.

Árvore em cerrado convertido em pastagem. Patrocínio (MG), 16-12-2014

Superfície do ritidoma e cor da casca interna. Patrocínio (MG), 16-12-2014

Flor e folhas. Patrocínio (MG), 20-12-2013

Fruto maduro. Coromandel (MG), 07-09-2013

LITERATURA
ALMEIDA, S. P. de et al. 1998. Cerrado: espécies vegetais úteis. Planaltina: EMBRAPA-CPAC, 464p.
GOTTSBERGER, G. 1989. Beetle pollination and flowering rhythm of Annona spp. (Annonaceae) in Brazil. Plant Systematics and Evolution, n.167, p.165-187.
GOTTSBERGER, G. 1994. As anonáceas do cerrado e a sua polinização. Revista Brasileira de Biologia, n.54, p.391-402.
LORENZI, H. 1992. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil. Nova Odessa (SP): Editora Plantarum, 352 p.
MAAS, P.J.M. et al. 2001. Annonnaceae from Central-eastern Brazil. Rodriguésia v.52, n.80, p.65-98.
MELO, J.T. 1993. Efeito do ácido giberélico-Ga3 sobre a germinação de sementes de araticum (Annona crassiflora Mart.). In: Anais do I Congresso Florestal Panamericano e do VII Congresso Florestal Brasileiro,  Curitiba: Sociedade Brasileira de Silvicultura e Sociedade Brasileira de Engenheiros Florestais, v.2, p.760.
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