Luehea crispa Krapov.

Açoita-cavalo

Árvore inerme, subcaducifólia, heliófila ou semiciófila, monoica, com até 7 m de altura. Casca  moderadamente espessa; ritidoma cinzento a pardacento, dividido e descamante;  casca interna fibrosa, brancacenta, passando rapidamente a ferrugínea após o corte. Madeira moderadamente pesada. Râmulos longos, flexíveis, glabros ou pubérulos, lenticelados, marrons ou castanhos, com superfície finamente sulcada.  Folhas simples, alternas, discolores, de margem serreada, ovadas a elípticas, de base (sub)cordada e assimétrica, margem serreada, pubérulas na face adaxial, velutinas e com nervuras terciárias salientes na abaxial, de 10-23 x 5-11 cm; pecíolo roliço, de 14-20 mm de comprimento. Inflorescências terminais ou subterminais, velutinas, multifloras, de 8-12 cm de comprimento; flores pediceladas, diclamídeas, pentâmeras, actinomorfas, andróginas, vistosas, perfumadas, com epicálice formado por 9 bractéolas ferrugíneo-pilosas, crespas; sépalas com esse mesmo tipo de indumento; pétalas brancas, estriadas, reflexas, de 2,5-3,5 cm de comprimento. Frutos secos, lenhosos, angulosos, oblongos, marrons, velutinos, polispermos, com 3-4 x 1,52 cm,  deiscentes até abaixo da metade do comprimento. Sementes aladas, com 8-12 x 4-5 mm; núcleo seminal na base da asa.

Possui registros de ocorrência apenas no Distrito Federal e em alguns municípios goianos das suas circunjacências. A maior parte das amostras existentes no herbários é originária de florestas ribeirinhas e florestas subcaducifólias.

Possui registros de floração de outubro a dezembro e em abril, e de maturação de frutos de agosto a novembro. Uma parte das amostras herborizadas exibe ao mesmo tempo  flores e frutos bem desenvolvidos.  

As flores abrem-se no fim do dia e durante a noite parecem ser frequentadas por mariposas e morcegos, enquanto durante o dia são notoriamente visitas de diversas espécies de himenópteros, além de lepidópteros, coleópteros  e beija-flores. As sementes são dispersas pelo vento.

A madeira e a entrecasca de L. crispa têm as mesmas utilidades das demais espécies de Luehea tratadas neste trabalho, mas aparentemente são usadas em menor escala e de forma mais esporádica. O mesmo pode ser dito com relação ao uso medicinal da casca e das folhas, pela população regional. As flores disponibilizam pólen e néctar aos seus visitantes. A espécie, devido às suas vistosas inflorescências e aos recursos que as suas flores oferecem a alguns elementos da fauna silvestre,  é indicada para arborização urbana e para recomposição de áreas desmatadas.

L. crispa é propagada por sementes. Para obtê-las, deve-se colher os frutos nas árvores, no início da deiscência, e coloca-los para completar a abertura em ambiente sombreado e bem ventilado. Após a abertura, os frutos são sacudidos e as sementes obtidas são colocadas em um saquinho de pano, onde serão suavemente comprimidas para remoção das asas. A semeadura pode ser realizada em sementeiras, para posterior repicagem das plântulas, ou em saquinhos de polipropileno com 25 x 15 cm contendo uma mistura de terra arigilo-arenosa com matéria orgânica decomposta na proporção de 1:1. A cobertura das sementes deve consistir de uma fina camada de substrato e as regas devem ser feitas com pulverizador. Existem indicativos de que a germinação se dá num prazo de 20-30 dias, de que as plântulas crescem de forma moderada e de que as mudas no campo podem crescer rapidamente quando plantadas em solo fértil.

Distinção da espécie

L. crispa apresenta muitas semelhanças com L. grandiflora, mas pode ser dela distinguida por possuir as seguintes características: inflorescências multifloras, grandes; bractéolas ferrugíneo- pilosas, tipicamente crespas; frutos angulosos, deiscentes até à metade do comprimento.

Folhas. Planaltina (DF), 26-05-2020

Flores e botões florais. Planaltina (DF), 26-05-2020

Fruto maduro, aberto. Brasília (DF), 10-11-2009. Autora: Marina de Lourdes Fonseca

LITERATURA
KRAPOVICKAS, A. 1974. Luehea crispa: nueva espécie de Tiliaceae de Brasil. Boletin de la Sociedad Argentina de Botánica, v.1-2, n.16, p.89-92.
Luehea in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro.Disponível em: <http://reflora.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB32929>. Acesso em: 23 Fev. 2020.
OLIVEIRA, A.C.B.; ESTEVES, G.L. & CAVALCANTI, T.B. 2009. Tiliaceae. In: CAVALCANTI, T.B. et al. (orgs.). Flora do Distrito Federal, v.7, p.269-282.
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