Ternstroemia carnosa Cambess.

Benguê

Árvore inerme, caducifólia ou subcaducifólia, heliófila, monoica, de até 4 m de altura e 15 cm de diâmetro a 30 cm da superfície do solo; aparecendo muitas vezes como arbusto. Tronco curto, retilíneo ou tortuoso. Casca moderadamente espessa; ritidoma cinzento a pardacento, estreito, irregularmente dividido e descamante; casca interna variando de amarela a avermelhada. Madeira leve; cerne entre bege e marrom-claro. Folhas simples, espiraladas, congestas no ápice dos ramos, coriáceas a carnosas, glabras a discretamente pilosas, obovadas a elípticas, de margem inteira a serrilhada, revoluta, com 3-5 x 1,5-3 cm. Flores axilares, unissexuadas, diclamídeas, pentâmeras, actinomorfas, amarelas, de 2-2,5 cm de comprimento e diâmetro, com estigma peltado e 25 estames bisseriados. Frutos ovalados, de ± 2 x 2 cm, polispermos, com cálice persistente, variando de cinzentos a avermelhados e abrindo-se irregularmente quando maduros. Sementes assimétricas, de ± 7 x 4 mm, com tegumento brancacento, envolvido por  arilo avermelhado.

Ocorre nos estados de Goiás, Minas Gerais, Bahia e São Paulo, a maioria das vezes em ambientes rochosos e de altitude elevada. A sua ocorrência no Cerrado está confirmada por coletas feitas na Chapada dos Veadeiros, em Goiás, e nas cadeias de montanhas do contato desse bioma com o bioma Caatinga em Minas Gerais e na Bahia. É encontrada em cerrados rupestres e florestas ribeirinhas.

C. carnosa floresce em fevereiro e março e apresenta frutos maduros em outubro e novembro, mas às vezes a floração e maturação de frutos se sobrepõem. As flores são frequentadas por insetos, com destaque para abelhas e outros himenópteros. As sementes são dispersas por aves que se alimentam de arilo.

A madeira dessa espécie não tem usos conhecidos, mas pode ser aproveitada para confecção de molduras, caixas, esculturas e utensílios domésticos. As flores fornecem néctar e pólen aos seus frequentadores. O arilo das sementes entra na dieta de aves. A infusão das folhas é usada na fitoterapia popular local, contra problemas renais e estomacais, sem que haja estudos sobre a sua eficácia e segurança. A espécie possui atributos que a torna indicada para formação de jardins rupestres, arborização urbana e recomposição de vegetação rupícola em regiões alpestres.

Para produzir mudas de T. carnosa, é necessário utilizar sementes recém-colhidas, remover o arilo que as envolvem e colocá-las para germinar em sementeira contendo substrato areno-argiloso. A sementeira deve ser mantida sob cerca de 50% de sombreamento, até as plântulas atingirem em torno de 5 cm de altura, quando deverão ser transferidas para recipientes de ± 25 x 15 cm, com o mesmo tipo de substrato mas sem sombreamento.

T. carnosa ocorre em áreas especiais dentro do Cerrado, de extensões relativamente pequenas mas com fortes restrições para atividades agropastoris, está representada em unidades de conservação de proteção integral e se faz presente em áreas de preservação permanente (florestas ribeirinhas). Hoje em dia, a sua principal ameaça é o aumento da incidência de incêndios fortuitos nos seus habitats preferenciais.

Árvore em cerrado rupestre. Alto Paraíso de Goiás (GO), 16-11-2017

Superfície do ritidoma e cor da casca interna. Alto Paraíso de Goiás (GO), 16-11-2017

Botões florais. Alto Paraíso de Goiás (GO), 18-11-2010

Folhas, botão floral e flor. Alto Paraíso de Goiás (GO), 26-03-2010

Frutos maduros, ressequidos. Alto Paraíso de Goiás (GO), 16-11-2017

LITERATURA
BITTRICH, V. & WEITZMAN, A.L. 2002. Theaceae. In: WANDERLEY, M.G.L.  et al. (eds.) Flora fanerogâmica do Estado de São Paulo, v.2, p. 323-326.
IBGE. 2002. Árvores do Brasil Central: espécies da Região Geoeconômica de Brasília. Rio de Janeiro: IBGE, 417 p.
LORENZI, H. 1998. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas brasileiras. Nova Odessa (SP): Instituto Plantarum, v.2, 2a ed.,  352 p.
Pentaphylacaceae in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro.Disponível em: <http://reflora.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB25939>. Acesso em: 10 Mai. 2018.
STANNARD, B.L. 1995. In: Theaceae. STANNARD, B.L. (ed.). Flora of the Picos das Almas. Kew (UK): Royal Botanic Gardens, p.612-613.
Site Protection is enabled by using WP Site Protector from Exattosoft.com