Lithraea molleoides (Vell.) Engl.

Sinônimo: Lithrea molleoides (Vell.) Engl.

Aroeirinha, aroeira-brava, aroeira-vermelha

Árvore inerme, subcaducifólia, heliófila, dióica, resinífera, até 10 m de altura e 25 cm de DAP; a maioria das vezes com tronco curto e bifurcado. Ritidoma cinzento a castanho-escuro, muito dividido e descamante; casca interna róseo-avermelhada. Madeira dura, castanha ou pardacenta. Folhas alternas, imparipinadas, glabras, com raque alada e 3-7 folíolos de 4-8 x 1,5-3 cm. Inflorescências paniculadas, glabras, com 5-8 cm de comprimento. Flores branco-amareladas ou amarelo-esverdeadas, diclamídeas, pentâmeras, actinomorfas, hermafroditas ou unissexuais, com 3-5 mm de comprimento. Frutos subglobosos, monospermos, de 5-7 mm de diâmetro, com pericarpo alvo e quebradiço na maturação, e endocarpo preto e rijo.

Ocorre na Argentina, Paraguai e Brasil, nas unidades federativas dos estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste e em Tocantins e na Bahia. É frequente no centro e sul do Cerrado e esporádica nas demais áreas. Ocorre em florestas-galerias, florestas estacionais subcaducifólias e cerradões.

Perde parte das folhas na estação seca. Floresce entre julho e setembro e apresenta frutos maduros de outubro a janeiro. As flores são frequentadas por himenópteros, com destaque para pequenas abelhas. Os são barocóricos e, aparentemente, são dispersos também por animais arborícolas.

Fornece madeira utilizável em construção de cercas e de outras obras externas, bem como em confecção de  móveis e produção de carvão.  A casca é rica em tanino, sendo eventualmente utilizada para extração dessa substância e para cicatrização de feridas no homem e em animais domésticos. Os frutos parecem entrar na dieta de aves e pequenos primatas, e as flores fornecem pólen e néctar aos seus frequentadores. A espécie é indicada para recomposição de áreas desmatadas e para arborização urbana, apesar de serem consideradas portadoras de substâncias que eventualmente provocam reações alérgicas em seres humanos.

É propagada por sementes, que são postas para germinar após a retirada do pericarpo. A semeadura é feita após romper o endocarpo com lixa  ou lâmina afiada, ou após fervê-los em água por alguns segundos. A emergência das plântulas começa num prazo de 10-15 dias e a taxa de germinação em sementes novas gira em torno de 80%.  O desenvolvimento das plântulas em viveiro tem sido considerado moderado.

L. molleoides predomina em terrenos preferenciais para agricultura, mas tem distribuição relativamente ampla no Cerrado, ocorre em áreas de preservação permanente (florestas-galerias) e está presente em unidades de conservação de proteção integral nesse bioma.

Árvore em remanescente de cerradão. Coromandel (MG), 12-03-2014

Superfície do ritidoma e morfologia de um tronco bifurcado. Coromandel (MG), 12-03-2014

Inflorescência e folhas. Coromandel (MG), 17-07-2014

Frutos maduros. Coromandel (MG), 02-11-2013

LITERATURA
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