Xylopia sericea A.St.-Hil.

Pindaíba, pimenta-de-macaco, embira, embireira

Árvore inerme, perenifólia, heliófila, monoica, de até 10 m de altura e 15 cm de DAP. Tronco reto, cônico, com ramificação monopodial, ascendente. Folhas, casca e frutos com odor característico, derivado de óleos voláteis. Ritidoma cinzento, pardacento ou amarronzado, íntegro ou dividido e descamante; casca interna amarela, muito fibrosa. Madeira marrom, listrada, leve. Folhas simples, alternas, ovadas ou elípticas,pilosas,  com 4-8 x 2-3,5 cm. Flores isoladas ou em fascículos paucifloros, diclamídeas, perfumadas, com pétalas brancas, dispostas em dois verticilos trímeros. Frutos formados por um ou vários carpídios subglobosos,ou alongados e curvos, polispermos, deiscentes, com a parte interna vermelha e 2-3,5 x 1-1,5 cm quando maduros. Sementes obovoides a elipsoides, negras, duras, com 5-7 mm de comprimento, com arilo na base e sarcotesta alva revestindo o tegumento.

Distribui-se da Venezuela. Colômbia e Peru até o estado do Paraná, passando pelas unidades federativas das regiões Norte, Centro-Oeste e Sudeste e chegando a alguns estados da região Nordeste. Ocorre em todas partes do Cerrado, de modo descontínuo e somente em formações florestais situadas em solos bem drenados. Costuma constituir agrupamentos com alta densidade de indivíduos em áreas perturbadas e pouco atingidas por incêndios.

Floresce entre agosto e outubro e apresenta frutos maduros entre julho e setembro. As flores são protogínicas e polinizadas por tripes e besouros. As sementes são dispersas por aves e, provavelmente, por animais que se alimentam dos frutos.

A madeira é utilizada em construção de habitações rústicas e de cercados para animais; em confecção de cabos de ferramentas, plataformas para tamancos e alguns tipos de utensílios domésticos; e como lenha. A entrecasca é usada como amarrilho. Os frutos maduros são apreciados por primatas e eventualmente são usados pelo homem como substitutos da pimenta-do-reino. As sementes são consumidas por várias espécies de aves.  A espécie é apropriada para arborização urbana e deve ser posta como prioritária em projetos de recomposição de áreas desmatadas.

As sementes de X. sericea apresentam dormência morfofisiológica, causada por imaturidade do embrião e presença de substâncias inibidoras de germinação, o que as levam a demorarem para germinar e a apresentarem baixos índices de germinação. Alguns estudiosos testaram métodos para superar essa dormência, sem chegarem a uma solução satisfatória para reverter esse inconveniente. É provável que o método adotado por Socolowski & Cícero (2003) para acelerar e aumentar  a germinabilidade das sementes de X. aromatica, também abordada neste blog, possa ser a solução para a superação da dormência das suas sementes. O desenvolvimento das plântulas em viveiro tem sido referido como lento.

 X. sericea apresenta ampla dispersão no Cerrado, ocorre em áreas de preservação permanente (florestas ribeirinhas) e possui populações em diversas unidades de conservação de proteção integral nesse bioma.

Grupo de indivíduos em cerradão alterado pelo homem. Douradoquara (MG), 13-08-2013

Árvore em cerradão alterado pelo homem. Cascalho Rico (MG), 07-07-2013

Superfície do ritidoma. Cascalho Rico (MG), 07-07-2013

Flores, botões florais e folhas. Indianópolis (MG), 19-10-2013

Fruto com carpídios maduros, expondo as sementes. Abadia dos Dourados (MG), 21-07-2013

LITERATURA
CASTELLANI, E. D. et al. Caracterização morfológica de frutos e sementes de espécies arbóreas do gênero Xylopia (Annonaceae). Revista Brasileira de Sementes, v.23, n.1, p.205-211, 2001.
DIAS, M.C. Estudos taxonômicos do gênero Xylopia L. (Annonaceae) no Brasil extra-amazônico. 1988. 183 f. Dissertação (Mestrado em Botânica), Universidade Estadual de Campinas, 1988.
FOURNIER, G.  et al. 1994. Volatile constituents of Xylopia frutescens, X. pynaertii and X. sericea: Chemical and biological study. Phytotherapy Research, v.8, n.3, p.166 -169.
LORENZI, H. 1992. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil. Nova Odessa (SP): Editora Plantarum, 352 p.
MAAS, P.J.M. et al. 2001. Annonnaceae from Central-eastern Brazil. Rodriguésia, v.52, n.80, p.65-98.
SILVA JÚNIOR, M.C. & PEREIRA, B.A.S. 2009. + 100 Árvores do Cerrado: Matas de Galeria: Guia de Campo. Brasília: Rede de Sementes do Cerrado, p.36-37.
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