Micrandra elata (Didr.) Müll.Arg.

Mamoneira

Árvore inerme, perenifólia a subcaducifólia, heliófila, monoica, latescente, até 20 m de altura e 50 cm de DAP. Tronco retilíneo, levemente cônico; os mais grossos acanalados e com sapopemas. Casca moderadamente espessa; ritidoma cinzento a pardacento, discretamente dividido e descamante; casca interna rosada a brancacenta. Madeira moderadamente pesada; cerne marrom-claro ou bege. Râmulos roliços, pardacentos a esverdeados. Folhas simples, alternas, cartáceas a subcoriáceas, ovadas a elípticas, de bordo liso, glabras ou pubescentes na face inferior, com um par de glândulas na base da lâmina ou no ápice do pecíolo e 7-10 x 3,5-5 cm; pecíolo de 2-4,5 cm de comprimento. Inflorescência terminal ou axilar, bissexuada, raramente  unissexuada, glabra ou pilosa, de 7-12 cm de comprimento. Flores curto-pediceladas, amarelo-claras, monoclamídeas, apétalas, gamossépalas, unissexuais, de ± 5 mm de comprimento; as masculinas com 3‑10 estames inseridos em um disco basal; as femininas geralmente com estilete trífido e estigma bífido. Fruto curto-pedunculado, trilobado, de 1,5-2 x 2-2,5 cm, seco e de deiscência explosiva na maturação. Sementes rajadas, lisas, obovadas, com ou sem carúncula, oleíferas, de 10-15 x 5-7 mm.

M. elata ocorre no Suriname, Guiana Francesa, Guiana, Colômbia, Peru e no Brasil, com ocorrências confirmadas nos estados do Amazonas, Roraima, Amapá, Pará, Bahia, Minas Gerais e São Paulo. Os seus habitats na sua área de dispersão são muito diversos, mas no Cerrado a sua ocorrência só tem sido constatada em disjunções de florestas estacionais subcaducifólias vinculadas a solos argiloso-arenosos, profundos e bem drenados.

A floração em M. elata é errática, mas a maioria dos indivíduos floresce em março e abril e apresenta frutos maduros em dezembro e janeiro. As flores são frequentadas, principalmente, por abelhas de pequeno porte. As sementes, no momento da deiscência dos frutos, caem sob a planta-mãe ou nos seus arredores.

A madeira dessa euforbiácea é apropriada para construção de forros de casas e para confecção de ripas, caixotes, obras de entalhe e utensílios domésticos. As flores parecem ser uma fonte importante de recursos para os seus pequenos mas ativos visitantes. Os frutos verdoengos atraem psitacídeos e as sementes servem de alimentos para animais terrestres. A espécie é uma importante alternativa para arborização de grandes espaços no meio urbano e para recomposição de áreas desmatadas, com solos similares aos dos seus habitats naturais.

Para formar mudas de M. elata, deve-se utilizar sementes novas e para tanto é preciso catá-las no chão na época da deiscência dos frutos ou apanhar cachos que tenham frutos no início da deiscência, colocá-los para secar e esperar que o conjunto de frutos se abra. As sementes devem ser postas para germinar em recipientes de ± 25 x 15 cm, contendo terra argilo-arenosa misturada com esterco curtido na proporção de 2:1 ou em sementeiras com mesmo tipo de substrato. Para um melhor desenvolvimento, as plântulas devem emergir e serem mantidas em ambiente com cerca de 50% de sombreamento, até o momento do plantio no local definitivo, que também deve ser parcialmente sombreado.

M. elata ocorre em remanescentes florestais disjuntos, confinados em uma parte relativamente pequena do Cerrado e situados em solos preferenciais para a prática de atividades agropastoris. Além disso, é uma espécie que não conta com registros de ocorrência em unidades de conservação de proteção integral nesse bioma.

Comentário: Borris et al. (1980) isolaram uma cumarina do extrato metanólico dos ramos e das raízes de M. elata, que em teste de laboratório apresentou atividade contra leucemia linfocítica em ratos.

Árvore em floresta estacional subcaducifólia, no início da estação seca. Araguari (MG), 10-06-2016

Morfologia da base do tronco e superfície do ritidoma. 30-01-2016

Inflorescência. 21-03-2017

 

 

 

Frutos próximos da maturação. 21-11-2015

LITERATURA
ARAÚJO, G.M. et al. 1997. Fitossociologia de um remanescente de mata mesófila semidecídua urbana, Bosque John Kennedy, Araguari, MG, Brasil. Revista Brasileira de Botânica, v.20, n.1, p.67-77.
BORRIS, R.P. et al. 1980. Isofraxidin, a cytotoxic coumarin from Micrandra elata (Euphorbiaceae). Journal of Natural Products, v.43, n.5, p.64-63.
DIAS NETO, O.C. et al. 2009. Estrutura fitossociológica e grupos ecológicos em fragmento de floresta estacional semidecidual, Uberaba, Minas Gerais, Brasil. Rodriguésia, v.60, n.4, p.1087-1100.
Euphorbiaceae in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro.Disponível em: <http://reflora.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB17618>. Acesso em: 16 Fev. 2018.
LORENZI, H. 1992. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil. Nova Odessa (SP): Editora Plantarum, v. 1, 1a edição, p.107.
SOUZA, P.J. & SECCO, R.S. 2014. Revisão taxonômica de Micrandra Benth. (Euphorbiaceae s.s.). Hoehnea, v.41, n.2, p.283-302.
Site Protection is enabled by using WP Site Protector from Exattosoft.com