Enterolobium gummiferum (Mart.) J.F.Macbr.

Sinônimo: Enterolobium ellipticum Benth.

Tamboril, tamboril-do-cerrado, tamboril-do-campo, saboeiro

Árvore inerme, caducifólia, heliófila, monoica, até 8 m de altura e 20 cm de DAP. Casca muito espessa; ritidoma cinzento, consistente, com sulcos largos; casca interna avermelha na camada externa, branca na interna. Madeira moderadamente pesada; cerne marrom, uniforme ou listrado. Folhas alternas, bipinadas, paripinadas, glabras a pubescentes, com 2-4 pares de pinas opostas; raque de 8-18 cm de comprimento, com um nectário extrafloral no pulvino; pínulas opostas, paripinadas, com 5-7 pares de folíolos; raquilas de 8-12 cm de comprimento, com um nectário no pulvínulo; folíolos subsésseis, opostos, assimétricos, discolores, cartáceos, de 1,5-2,5 x 1-1,5 cm. Inflorescência racemiforme, pubérula, de 4-6 cm de comprimento, composta por glomérulos de 10-16 flores. Flores diclamídeas, actinomorfas, andróginas, sésseis ou subsésseis, de 8-12 mm de comprimento; corola alva, tubulosa; estames exsertos, alvos, com anteras amarelas. Fruto seco ou polposo, indeiscente, polispermo, semicircular, ondulado; com epicarpo marrom, velutino; mesocarpo fibro-lenhoso ou pastoso, gomífero; endocarpo semi-lenhoso; e 6-8 cm de diâmetro. Sementes pardo-amareladas ou marrons, elipsoides, duras, de 8-12 x 5-7 mm.

É endêmica do Brasil, com ocorrência confirmada nas unidades federativas da região Centro-Oeste e nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Piauí, Maranhão, Tocantins e Pará. Habita cerrados e cerradões em diferentes tipos de solos e posições topográficas. Ocorre na maior parte do Cerrado, sendo mais frequente na porção central deste bioma.

E. gummiferum perde as folhas na estação seca; floresce de agosto a novembro, com as folhas novas já bem desenvolvidas; e apresenta frutos maduros de julho a setembro. As flores são frequentadas por borboletas, besouros e principalmente abelhas, que aparentemente são os seus polinizadores. As sementes são dispersas pelos animais que se alimentam dos frutos e que, aparentemente, são também predadores desses propágulos. As sementes às vezes são fortemente predadas por bruquídeos.

A madeira de E. gummiferum é utilizada em pequenas obras no meio rural, tanto externas quanto internas, bem como em confecção de móveis simples, caixotes, molduras e brinquedos, e como lenha. A cortiça pode ser empregada em confecção de rolhas e de mantas isolantes. A casca viva é usada no curtimento artesanal de couros. As flores são fonte de néctar e pólen para abelhas. Os frutos maduros, segundo relatos de moradores regionais, são consumidos por macacos, papagaios, veados, anta, paca, cutia e porco-do-mato; eventualmente algumas pessoas os usam para lavar as mãos, na falta de sabão. A goma exsudada pelo frutos é utilizada na medicina popular, contra faringite, laringite e afecções pulmonares e cutâneas. A espécie pode ser plantada em áreas urbanas e, sendo um elemento típico do Cerrado, deve estar sempre presente nas listas de plantas eleitas para recomposição de cerrados e cerradões.

O tegumento das sementes de E. gummiferum, como o das outras espécies de Enterolobium e da maioria das mimosoídeas abordadas neste trabalho, é muito pouco permeável à água. Para promover a embebição das sementes e abreviar e uniformizar a germinação, pode-se submetê-las a um dos seguintes tratamentos: a) imersão das sementes em água na temperatura ambiente por 24 horas, b) imersão em água fervente por alguns segundos, c) imersão por 5-10 minutos em água contendo 2% de ácido sufúrico e d) escarificação do tegumento com lixa d’água 220 no lado oposto ao do embrião. A sementes devem ser postas para germinar imediatamente após o tratamento, em sementeiras ou em recipientes de 25 x 15 cm contendo substrato organo-argiloso, a pleno sol ou sob leve sombreamento. O plantio das mudas deve ser realizado em áreas ensolaradas.

E. gummiferum predomina em terrenos favoráveis para atividades agropastoris, mas possui ampla distribuição no Cerrado e está representada em várias unidades de conservação neste bioma.

Comentário: Alguns estudos em busca de confirmação para relatos de fazendeiros, levaram à constatação de que a ingestão de frutos de E. gummiferum por bovinos causa aborto em vacas, diversos tipos de distúrbios em machos e fêmeas, tanto jovens quanto adultos; e até mesmo morte, quando ingeridos em grande quantidade.

Árvore no habitat natural. Patrocínio (MG), 05-05-2013

Superfície do ritidoma. Patrocínio (MG), 05-05-2013

Cacho de inflorescências. Coromandel (MG), 05-10-2013

Fruto maduro. Guimarânia (MG), 13-08-2008

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