Luehea grandiflora Mart. & Zucc.

Açoita-cavalo

Árvore inerme, caducifólia, heliófila ou semiciófila, monoica, com até 15 m de altura e 35 cm de DAP. Tronco de base cilíndrica ou  acanalada e com sapopemas. Casca  moderadamente espessa; ritidoma pardacento a cinzento, estreitamente sulcado, firme ou esfoliante;  casca interna fibrosa, róseo-avermelhada. Madeira moderadamente pesada; cerne marrom. Folhas simples, alternas, ovadas a elípticas,  discolores, pilosas, de margem  serreada, com três nervuras grandes partindo da base e 10-18 x 8-14 cm; pecíolo 5-10 mm de comprimento. Inflorescências terminais e axilares pilosas, 8-15 cm de comprimento . Flores pilosas, de 3,5-4 cm de comprimento; epicálice com 8-9 bractéolas lineares ou lanceoladas; sépalas ovalado-lineares, com 3-4 cm de comprimento; pétalas ovadas, pilosas, de 2,5-4 cm de comprimento. Frutos secos, lenhosos, angulosos, deiscentes, oblongos a elípticos, em geral apiculados, polispermos, pubescentes, de 3,5-4,5 cm de comprimento, abrindo-se até próximo da base. Sementes pequenas, aladas, com núcleo seminal na base da asa.

Ocorre na Argentina, Paraguai, e no Brasil, nas unidades federativas das regiões Centro-Oeste e  Sudeste, em parte dos estados da região Nordeste e no Paraná, Tocantins e Pará. É elemento relativamente frequente no Cerrado, especialmente na sua parte central,  onde é encontrado em florestas subcaducifólias, florestas ribeirinhas e cerradões.

Floresce, principalmente, no período de dezembro a abril, com a maturação dos frutos ocorrendo de julho a novembro; indivíduos com flores e frutos bem desenvolvidos são comuns. As flores abrem-se no fim do dia e durante a noite e são visitadas por insetos de hábito noturno e possivelmente por morcegos, enquanto durante o dia são frequentadas por himenópteros, lepidópteros e beija-flores. As sementes são dispersas pelo vento.

A madeira de L. grandiflora, como a das suas congenéricas abordadas neste trabaho, é compacta, flexível e resistente a agentes decompositores,  sendo considerada apropriada para obras internas e externas. Por ser fácil de trabalhar, foi (e em parte ainda é) muito empregada em confecção de móveis, esculturas, tamancos, formas para calçados, caixotes, coronhas e cangas de boi etc. A entrecasca, de fibras resistentes, é eventualmente utilizada como amarrilho. As flores são fonte de pólen e néctar para os seus visitantes. A casca interna e as folhas são utilizadas na medicina caseira contra os mesmos problemas de saúde citados neste trabalho para L. divaricata, apesar de ainda não existirem estudos que comprovem a maioria das propriedades além atribuídas. A espécie é indicada para arborização urbana, por apresentar flores vistosas ao longo de vários meses do ano; e para recomposição de áreas desmatadas, pelo fato de crescer relativamente rápido e de oferecer recursos para membros da fauna silvestre.

L. grandiflora é propagada por sementes. Para obtê-las, deve-se colher os frutos nas árvores, no início da deiscência, e coloca-los para completar a abertura em ambiente sombreado, seco e ventilado. Após a abertura, os frutos são sacudidos e as sementes obtidas são colocadas em um saquinho de pano, onde serão suavemente comprimidas para remoção das asas. A semeadura pode ser realizada em alfobres, para posterior repicagem das plântulas, ou em saquinhos de polipropileno com 25 x 15 cm contendo terra ariglo-arenosa misturada com matéria orgânica decomposta na proporção de 1:1. A cobertura das sementes deve consistir de uma fina camada de substrato e as regas devem ser feitas com pulverizador. As plântulas crescem rápido.

Essa malvácea ocorre em áreas preferenciais para atividades agropastoris e em alguns locais continua sendo objeto de corte para aproveitamento da madeira e da casca. Porém, possui ampla dispersão no Cerrado, ocorre em áreas de preservação permanente (florestas ribeirinhas) e está presente em diversas unidades de conservação de proteção integral nesse .

Distinção da espécie 

L. grandiflora é pode ser distinguida das demais espécies de Luehea abordadas neste trabalho pelas seguintes características: inflorescências multifloras; flores grandes, com pétalas brancas, largas e estaminódios curtamente fimbriados no ápice.

 

Árvore em floresta subcaducifólia convertida em pastagem. Abadia dos Dourados (MG), 08-05-2014

Aspecto do ritidoma e cor da casca interna. Abadia dos Dourados (MG), 18-10-2014

Flores e folhas. Araguari (MG), 22-04-2017

Frutos maduros, liberando as sementes. Monte Carmelo (MG), 05-07-2014

 LITERATURA
BRANDÃO, M.G.L. 2015. Plantas úteis de Minas Gerais e Goiás: na obra dos naturalista. Belo Horizonte: Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG, 109 f.
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CUNHA, M.C.S. 1985. Revisão das espécies do gênero Luehea Willd. (Tiliaceae), ocorrentes no Estado do Rio de Janeiro. Sellowia, n.37, p.5-41.
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