Luehea paniculata Mart. E Zucc.

Açoita-cavalo, açoita-cavalo-amarelo

Árvore inerme, caducifólia, heliófila, monoica, com até 16 m de altura e 40 cm de DAP. Casca  moderadamente espessa; ritidoma pardacento a cinzento, estreitamente sulcado, firme ou descamante;  casca interna fibrosa, róseo-avermelhada. Madeira moderadamente pesada; cerne amarelado. Folhas simples, alternas, ovadas a elípticas,  discolores, pilosas, de margem  serreada, com três nervuras grandes partindo da base e 7-12 x 4,5-7 cm; pecíolo 5-10 mm de comprimento. Inflorescências terminais e axilares pilosas, multifloras, com 8-16 cm de comprimento . Flores vistosas, pilosas, de 3,5-4 cm de comprimento; epicálice com 8-9 bractéolas de 8-10 mm de comprimento; sépalas ovalado-lineares, maiores que as bractéolas; pétalas branco-amareladas, ovadas, de 2,5-3,5 cm de comprimento. Frutos secos, lenhosos, angulosos, deiscentes, elipsoides a ovoides, polispermos, pubescentes, de ± 2 x 1,5 cm, abrindo-se até quase a metade do comprimento. Sementes  aladas, de 8-9 mm de comprimento; com núcleo seminal na base da asa.

Ocorre na Argentina, Paraguai, e no Brasil, nas unidades federativas das regiões Centro-Oeste e  Sudeste, em parte dos estados da região Nordeste e no Paraná, Tocantins e Pará. É elemento comum e bastante popular no Cerrado, especialmente na sua parte central,  onde é encontrado com frequência em florestas subcaducifólias, florestas ribeirinhas e cerradões.

Floresce entre julho e outubro e apresenta frutos maduros entre novembro e janeiro. As flores abrem-se no fim do dia e durante a noite e são frequentadas por insetos de hábito noturno e possivelmente por morcegos, enquanto durante o dia recebem visitas de himenópteros, lepidópteros e beija-flores. As sementes são dispersas pelo vento.

A madeira de L. grandiflora, como a das suas congenéricas abordadas neste trabaho, é compacta, flexível e resistente a agentes decompositores,  sendo considerada apropriada para obras internas e externas. Por ser fácil de trabalhar, foi e ainda vem sendo empregada em confecção de móveis, esculturas, tamancos, formas para calçados, caixotes, coronhas, cangas de boi etc. A entrecasca, de fibras resistentes, é utilizada como amarrilho. As flores oferecem pólen e néctar aos seus visitantes. A casca interna e as folhas são utilizadas na medicina caseira contra os mesmos problemas de saúde citados neste trabalho para L. divaricata, apesar de ainda não existirem estudos que comprovem a maioria das propriedades além atribuídas. A espécie é indicada para arborização urbana, por apresentar flores vistosas ao longo de vários meses; e para recomposição de áreas desmatadas, pelo fato de crescer relativamente rápido e de oferecer recursos para membros da fauna silvestre.

L. paniculata é propagada por sementes. Para obtê-las, deve-se colher os frutos nas árvores no início da deiscência e coloca-los para completar a abertura em bandejas, em ambiente sombreado e ventilado. Após a abertura, os frutos são sacudidos e as sementes obtidas são colocadas em um saquinho de pano, onde serão suavemente comprimidas para remoção das asas. A semeadura pode ser realizada em alfobres, para posterior repicagem das plântulas, ou em saquinhos de polipropileno com 25 x 15 cm contendo uma mistura de terra arigilo-arenosa com matéria orgânica decomposta na proporção de 1:1. A cobertura das sementes deve consistir de uma fina camada de substrato e as regas devem ser feitas com pulverizador.

Essa malvácea ocorre em áreas preferenciais para atividades agropastoris e em algumas localidades continua sendo objeto de corte para aproveitamento da madeira e da casca. Porém, possui ampla dispersão no Cerrado, ocorre em áreas de preservação permanente (florestas ribeirinhas) e está presente em diversas unidades de conservação de proteção integral nesse bioma.

Distinção da espécie

 L. paniculata pode ser distinguida das demais espécies de Luehea abordadas neste trabalho pelas seguintes características: inflorescências grandes, multifloras; flores grandes, com pétalas branco-amareladas, largas; e frutos deiscentes acima da metade do comprimento.

Árvore em margem de rodovia cruzando cerradão alterado pelo homem. Estrela do Sul (MG), 02-09-2017

Superfície de ritidoma chamuscado por fogo e cor da casca interna. Indianópolis (MG), 20-01-2018

Inflorescência . Estrela do Sul (MG), 21-07-2013

Frutos maduros, após a dispersão das sementes. Indianópolis (MG), 20-01-2018

LITERATURA
ALMEIDA, S.P. et al. 1998. Cerrado: espécies vegetais úteis. Planaltina (DF): EMBRAPA-CPAC, 464 p.
BRANDÃO, M. & LACA-BUENDIA, J.P. 1993. O gênero Luehea Willd (Tiliaceae) no Estado de Minas Gerais. Daphne, v.3, n.3, p.38-45.
CALIXTO-JÚNIOR, J.T. 2016.The genus Luehea (Malvaceae-Tiliaceae): review about chemical and pharmacological aspects. Journal of Pharmaceutics [online], in: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5081957/pdf/JPHAR2016-1368971.pdf, acesso em: 06-01-2018.
CUNHA, M.C.S. 1985. Revisão das espécies do gênero Luehea Willd. (Tiliaceae), ocorrentes no Estado do Rio de Janeiro. Sellowia, n.37, p.5-41.
LORENZI, H. 1998. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil. Nova Odessa (SP): Editora Plantarum, v.2, 2a ed., 352 p.
LUEHEA in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <http://reflora.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB9094>. Acesso em: 04 Jan. 2018.
OLIVEIRA, A.C.B. et al. 2009. Tiliaceae. In: CAVALCANTI, T.B. et al. (orgs.). Flora do Distrito Federal, v.7, p.269-282.
TSCHÁ, M.; SALES, M.F. & ESTEVES, G. L. 2002. Tiliaceae no Estado de Pernambuco. Hoehnea, v.29, n.1, p.1-18.
Site Protection is enabled by using WP Site Protector from Exattosoft.com