Aspidosperma cylindrocarpon Muell.Arg.

Peroba, peroba-poca, pereiro, guatambu, tambu

Árvore inerme, latescente (látex branco), caducifólia, heliófila, monoica, até 20 m de altura e 45 cm de DAP. Tronco geralmente retilíneo e tendendo a cilíndrico. Casca muito espessa; ritidoma suberoso, fortemente sulcado, cinzento ou pardacento na superfície e bege na subsuperfície; casca interna variando de amarelo-clara a brancacenta. Madeira moderadamente pesada; cerne pardo-amarelado a marrom-escuro, de texto média. Râmulos cinzentos ou castanho-claros, roliços, lenticelados. Folhas simples, alternas, glabras, cartáceas ou subcoriáceas, variando de ovadas a elípticas, de 7-12 x 3,5-7 cm; pecíolo de 2,5-5 cm de comprimento. Inflorescência cimosa, axilar, glabra,  solitária ou aos pares, de 5-8 cm de comprimento. Flores pentâmeras, actinomorfas, curto-pediceladas, perfumadas, de 8-12 mm de comprimento; cálice curto, glabro; corola amarelada a brancacenta, gamopétala, pilosa na face interna do tubo. Fruto isolado ou ao pares, cilíndrico, de ápice obtuso, lenticelado, seco, lenhoso, deiscente, de 8-10 x 2,5,3,5 cm. Sementes 10-16 por fruto, planas, obovadas a elípticas, de 10-15 x 8-10 mm, com tegumento castanho-claro a marrom e uma ala membranácea na base, totalizando 3-4,,5 cm de comprimento.

Possui registros de ocorrência nas unidades federativas das regiões Centro-Oeste e Sudeste e nos estados de Rondônia, Tocantins, Bahia, Paraná e Santa Catarina. É um elemento relativamente frequente nas florestas estacionais subcaducifólias e caducifólias e nas florestas ribeirinhas da maior parte da área de abrangência do Cerrado. Ocorre também no Paraguai, Bolívia e Peru.

Perda as folhas no meado da estação seca; floresce com folhas novas, entre setembro e novembro; e apresenta frutos maduros em agosto e outubro. As flores atraem insetos de diversas órdens, mas os seus polinizadores ainda não são conhecidos. As sementes são dispersas pelo vento.

A madeira de A. cylindrocarpon é resistente e fácil de trabalhar e, embora em escala bem menor do que outrora, é usada em construção de estruturas de telhados, forros, assoalhos, escadas internas e carrocerias, bem como em confecção de esquadrias, portas, janelas, móveis, assoalhos, molduras, esculturas e oratórios. A casca do tronco e as folhas possuem óleos voláteis e vários tipos de alcaloides, esteroides, flavonoides e fenóis, alguns deles com evidências de poderem vir a ser utilizados para produção de remédios contra câncer e outras doenças. A espécie reúne características que a tornam preferencial para utilização em arborização urbana, recomposição de áreas desmatadas e implantação de sistemas agroflorestais.

O modo de propagação de A. cylindrocarpon é por meio de sementes, que podem ser coletadas no chão após a sua queda ou retiradas de frutos coletados nas árvores no início da deiscência. Após a colheita, deve-se aparar a asa das sementes e em seguida colocá-las para germinar  em sementeiras contendo terra argilo-arenosa misturada com esterco curtido no proporção de 2:1, ambiente com 30% a 40% de sombreamento. As plântulas devem ser transferidas para recipientes maiores e ambientes mais iluminados quando estiverem com 3-5 cm de altura.

A. cylindrocarpon tem ampla dispersão ampla no Cerrado e ocorre em áreas de preservação permanente (florestas ribeirinhas), mas predomina em áreas preferenciais para atividades agropastoris; está subsistindo em fragmentos floretais sujeitos a derrubadas de árvores, invasões de gado e incêndios; e possui poucos registros de presença em unidades de conservação de proteção integral nesse bioma.

Distinção da espécie

A. cylindrocarpon se distingue das suas congenéricas tratadas neste trabalho pelas folhas, frutos e sementes, que são longo-pecioladas, subcilíndricos e com ala basal, respectivamente.  Os frutos de A. polyneuron Müll. Arg. também são subcilíndricos, porém são apiculados ( versus mucronados em A. cylindricarpon) e a ala das sementes é apical.

 

Árvore em floresta estacional subcaducifólia convertida em pastagem. Douradoquara (MG), 16-03-2014

Aspecto da superfície do ritidoma. Douradoquara (MG), 16-03-2014

Inflorescências e folhas. Abadia dos Dourados (MG), 06-09-2014

Fruto maduro, aberto, e sementes. Abadia dos Dourados (MG), 18-09-2014

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