Aspidosperma cf. spruceanum Benth. ex Muell.Arg.

Peroba, pereiro, guatambu, tambu

Árvore inerme, latescente (látex vermelho), perenifólia, heliófila, monoica, de até 18 m de altura de 40 cm de DAP. Tronco na maioria das vezes longo, retilíneo e levemente cônico. Casca espessa; ritidoma suberoso, cinzento, irregularmente dividido, firme ou descamante; casca interna amarela. Madeira moderadamente pesada; cerne amarelado, de textura fina. Râmulos cinzentos a pardacentos, pilosos, esparsamente lenticelados. Folhas  simples, alternas; lâmina tipicamente discolor, coriácea, pilosa na face inferior; de margem inteira, revoluta; obovada, às vezes elíptica; de 8-16 x 3,5-6 cm; pecíolo de 2-3,5 cm de comprimento. Inflorescência corimbiforme, (sub)terminal, pilosa, de 10-18 cm de comprimento. Flores curto-pediceladas, diclamídeas, pentâmeras, actinomorfas, andróginas, pilosas, de 8,5-10 mm de comprimento; cálice curto; corola amarela, tubulosa, com lobos eretos. Frutos geralmente aos pares, marrom-acinzentados, achatados,  sulcados, mucronados, pilosos, inconspicuamente lenticelados, secos, deiscentes, polispermos, de 8-15 x 6-9 cm na maturação. Sementes orbiculares, planas, marrom-claras, de 2-2,5 cm, circundadas por uma ala membranácea, alva, de 4,5-7 cm.

Essa apocinácea é citada por diversos autores como uma espécie cosmopolita, que ocorre do México até a Bolívia e o Brasil. A sua área de dispersão  no território brasileiro está sob controvérsia no momento, na medida em que é referida na Flora do Brasil 2020 em construção como sendo apenas o estado do Amazonas, enquanto a espécie é citada em vários trabalhos como ocorrente na maior parte dos estados da região Norte e em Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, São Paulo e no Distrito Federal. Ocorre no centro e em parte do oeste e do sul do Cerrado, em florestas estacionais subcaducifólias e florestas ribeirinhas, com frequência relativamente em alta algumas áreas.

Aspidosperma spruceanum possui registros de floração em fevereiro e entre agosto e outubro, e de maturação de frutos em outubro e novembro; mas aparentemente floresce em anos alternados. As flores apresentam indícios de que são polinizadas por mariposas. As sementes são dispersas pelo vento.

A madeira de A. spruceanum já foi, e em algumas localidades ainda é, muito empregada em construção de estruturas de telhados, forros, assoalhos, rodapés, escadas internas e carrocerias, e em confecção de portas, janelas, móveis, molduras e esculturas. A espécie é recomendável para arborização urbana, recomposição de áreas desmatadas e implantação de sistemas agroflorestais, apesar de ser considerada de crescimento lento.

O modo utilizado para formar mudas de A. spruceanum é por meio de sementes, que podem ser coletadas no chão após a sua dispersão ou retiradas de frutos coletados nas árvores no início da deiscência. Após a colheita, deve-se aparar a asa das sementes e em seguida colocá-las para germinar  em sementeiras contendo terra argilo-arenosa misturada com esterco curtido no proporção de 1:1, em ambiente com cerca de 50% de sombreamento. As plântulas devem ser transferidas para recipientes maiores quando estiverem com 3-5 cm de altura

A. spruceanum ocorre em mais ou menos a metade da área de abrangência do Cerrado e teve as suas populações muito desfalcadas ao longo do tempo, em função da qualidade e versatilidade da sua madeira. Uma parte das populações remanescentes está situada em áreas de preservação permanente (florestas ribeirinhas) e em unidades de conservação de proteção integral, mas a maioria está subsistindo em fragmentos florestais sujeitos a derrubadas de árvores, invasões de gado e incêndios.

Distinção da espécie

O modo mais prático para distinguir A. spruceanum das suas congenéricas no Cerrado é pela presença de látex vermelho nas suas partes vegetativas. Além dela, somente A. nobile, descrita em outro post neste trabalho, possui látex com essa cor.

Árvore em floresta subcaducifólia parcialmente desmatada. Monte Carmelo (MG). 11-03-2017

Superfície do ritidoma. Monte Carmelo (MG), 01-09-2014

Inflorescências. Abadia dos Dourados (MG), 11-02-2018. Autor: Eber M. Alcântara

Fruto maduro expondo as sementes. Cavalcante (GO), 02-10-2013

LITERATURA
Aspidosperma in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro.Disponível em: <http://reflora.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB4534>. Acesso em: 07 Jun. 2018.
FREITAS, A.D.D. 2008. Aspectos tecnológicos e morfoanatômicos de sementes maduras, plântulas e plantas jovens de Aspidosperma spruceanum Benth. ex Mull. Arg. (Apocynaceae). Dissertação (mestrado). Universidade Federal Rural da Amazônia, 130 p.
FREITAS, A.D.D. et al. 2007. Aspectos morfológicos de frutos, sementes e plântulas de Aspidosperma spruceanum (Apocynaceae). 58º Congresso Nacional de Botânica – Resumo. Disponível em: https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/60429/1/AspectosFrutos.pdf, acesso em: 08-06-2018.
GOMES, S.M. 1997. Aspidosperma Mart & Zucc. (Apocynaceae) no Distrito Federal e caracteres para o aprimoramento da taxonomia do gênero. Dissertação (mestrado), Universidade de Brasília.
IBGE. 2002. Árvores do Brasil Central: espécies da Região Geoeconômica de Brasília. Rio de Janeiro: IBGE, p.85-87.
LORENZI, H. 1998. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil. Nova Odessa (SP): Editora Plantarum, v.2, 2a ed., p.24.
MARCONDES-FERREIRA, W. 2005. Aspidosperma Mart. In: WANDERLEY, M.G.L. et al. (eds.) Flora Fanerogâmica do Estado de São Paulo, v.4, p.39-47.
OLIVEIRA, V.B. 2008. Alcalóides indólicos de Aspidosperma spruceanum (Apocynaceae). Tese (doutorado), Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, 104 f.
PEREIRA, A.S.S.et al. 2016. Taxonomy of Aspidosperma Mart. (Apocynaceae, Rauvolfioideae) in the State of Pará, Northern Brazil. Biota Neotropica, v.16, n.2 [online]. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/bn/v16n2/1676-0611-bn-1676-0611-2015-0080.pdf, acessado em: 28 maio 2018.

 

Site Protection is enabled by using WP Site Protector from Exattosoft.com